Agilidade e Tradicionalismo 

Nov/09
30

Chegou √† minha aten√ß√£o que os termos “Tradicionalista” e “Tradicionalismo” t√™m um significado pr√≥prio e se referem √†s pessoas e a uma corrente¬†filos√≥fica¬†¬†que seguem as tradi√ß√Ķes de uma certa cultura, normalmente denominado¬†folclore [1,2 ]; e que a s√©rie “Scrum para Tradicionalistas” pode estar ofendendo de algum modo estas pessoas que nada t√™m a haver com a constru√ß√£o de software.

A s√©rie “Scrum para Tradicionalistas” se destina a quem produz software seguindo ¬†um certo tipo de¬†metodologia. Esta metodologia √© oposta em varias frentes √† cultura de condu√ß√£o de softwares denominada Agil que prov√©m do seguimento de algumas diretrizes presentes no Manifesto √Āgil. O termo “Tradicionalista” neste contexto se refere apenas e s√≥ √†s pessoas que desenvolvem software seguindo estas¬†metodologias¬†especificas.

Não ha um nome para estas metodologias porque elas não são homologadas por nenhum autor, elas advêm de anos de más práticas de administração de projeto de software e más práticas de desenvolvimento de software que se tornaram o padrão em várias casas de software pelo mundo apenas e só baseados na repetição historica de certas práticas. Ou seja, estas metodologias foram incluídas no mundo da produção de software apenas e só pela tradição; dai o nome tradicionalista para quem as pratica.

Este nome realmente não é muito bom, mas é o que vem sendo usado para designar estas pessoas e estas práticas. Portanto, para não ofender os defensores do real Tradicionalismo, cabe modificar a designação para estas metodologias e as pessoas que as praticam.

Poderiamos utilizar a referencia “metodologia cl√°ssica” e os “cl√°ssicos” mas isso na realidade j√° se usa para referencias a¬†metodologias¬†reais como o Processo Unificado , ¬†RUP e Waterfall (Cascada). Ent√£o n√£o serve.

Poderiamos utilizar a referencia “metodologia ad hoc” , mas carece de um adjetivo para qualificar os praticantes al√©m de parecer que se trata de algo aleat√≥rio que algu√©m inventou num momento de “inspira√ß√£o”. ¬†Isto n√£o traduz o sentido atual da express√£o “metodologias tradicionais” porque n√£o invoca o¬†caracter¬†historico¬†e de coisa que nasceu pela constante ¬†escolha das op√ß√Ķes erradas ao longo do tempo.

Depois de pesquisar n√£o encontrei uma palavra que explicitasse o sentido de lastro¬†historio¬†e a op√ß√£o √© escolher algo que seja a oposi√ß√£o de √°gil. O termo que seria mais¬†premente seria¬†¬†“lento” , mas uma pessoa “lenta” tem outro significado. Ent√£o fico com moroso, que significa que dura ou parece durar muito mais do que seria desej√°vel – que √© exatamente o sentimento que as ditas metodologias passam.

Se algu√©m tiver outras sugest√Ķes ¬†s√£o bem vindas. E aqui ficam as minhas desculpas ao pessoal do verdadeiro Tradicionalismo pelo uso impr√≥prio da palavra.

Adendo [1/12/2009]

Relendo o livro : Software Estimation : Demystifying the Black Art encontrei a referencia a processos do tipo Stage-Gate (Est√°gio-Port√£o) ao qual pertence o processo de Software Development Life Cycle (SDLC). Este tipo de processos de Stage-Gate s√£o utilizados para a produ√ß√£o de m√°quinas ¬†e outros produtos industriais e s√£o caracterizados por v√°rias est√°gios e v√°rias condi√ß√Ķes de fronteira ( gates) que permitem passar ao est√°gio seguinte. O processo waterfall √© um outro tipo de Stage-Gate.

Daqui poderiamos tirar um nome para as metodologias ditas tradicionais : metodologias de sequencia de estágios, ou metodologias de estágios ou melhor, eu seria: metodologias industriais.  Isto deixa bem explicito a diferença entre valorizar pessoas (metodologias ageis)  e valorizar processos (metodologias industriais). Acho que vou passar a adotar essa nomenclatura. O que você acha  ?

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